sexta-feira, 26 de agosto de 2011

presente

Vejam que linda a obra que o Ricardo Coelho leu para mim na cozinha de sua casa com uma taça de vinho:


Já bem perto do ocaso, eu te bendigo, ó Vida,
Porque nunca me deste esperança mentida,
Nem trabalhos injustos, nem pena imerecida.
Porque vejo, ao final de tão rude jornada,
Que a minha sorte foi por mim mesmo traçada;
Que, se extraí os doces méis ou o fel das cousas,
Foi porque as adocei ou as fiz amargosas;
Quando eu plantei roseiras, eu colhi sempre rosas.

Decerto, aos meus ardores, vai suceder o inverno:

Mas tu não me disseste que maio fosse eterno!

Longas achei, confesso, minhas noites de penas;

Mas não me prometeste noites boas, apenas
E em troca tive algumas santamente serenas…

Fui amado, afagou-me o Sol. Para que mais?

Vida, nada me deves. Vida, estamos em paz!
Amado Nervo

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