domingo, 22 de janeiro de 2012

33 anos + 33 anos

Uma das razões que me levou a operar o estomago foi que eu estava prestes a entrar em um ciclo de vida que não desejava para ninguém. O nível do colesterol na estratosfera, praticamente pré diabética, gordura no fígado, hipertensão entre outras coisas que não tinham volta. Ou seja, teria que começar a tomar muitos remédios de uso contínuo daqueles que tem sempre um efeito colateral que faz com que você tenha que tomar outro para aliviar determinado sintoma e assim por diante.
Me lembro que conversei com o endocrinologista e disse que tinha vivido 33 anos de um jeito e que estava preparada para viver os próximos 33 anos de outra forma.Falei que não queria morrer, mas sim abrir uma nova vida na qual eu poderia fazer coisas que ainda não tinha feito até então.
Realmente foi isso mesmo que aconteceu. Vivi os dois primeiros anos pós cirúrgicos fazendo absolutamente tudo que eu queria. Ri muito, dancei muito, bebi muito, viajei muito, conheci muita gente interessante. Pude usar roupas diferentes e fazer coisas que em 33 anos eu nunca tinha experimentado, como usar biquíni, comprar cintos e etc.
Um das coisas que eu disse para o meu médico é que queria ter uma família e tinha medo que sem a cirurgia isso fosse mais difícil e perigoso. Quais os riscos de ter um filho com mais de 30 anos, tomando vários remédios todos os dias e pesando quase 120 quilos?
Como sempre na minha vida as coisas acontecem ao contrário do que indicado em qualquer planejamento e hoje posso dizer que terei uma família. Ela não é como eu imaginei, mas será sem dúvida a mais linda de todo mundo. Engravidar depois que quase 3 anos de cirurgia é um presente na minha vida.
Sei que esse filho veio trazer um norte na minha vida e respostas para várias perguntas. Sei muito bem que nada será igual ao que foi antes em todos os sentidos. De cara já tive que me desfazer de muitas coisas minhas para poder abrir espaço para essa criança na minha (ops, nossa) casa. Chega de mil livros e revistas, bibelôs, taças, sapatos, vestidos e etc. Nada de comida gordurosa, bebida alcoólica e pizzas todos os finais de semana. O que eu ainda não joguei fora ainda, terei que doar ou emprestar para os meus amigos.
O apartamento terá que ser reformado porque não dá para ter um recém nascido aqui. Também tive que ceder às modernidades e instalar telefone fixo, internet e TV a cabo. Lingerie agora somente as confortáveis e também providencie um almofadão minhoca roxo para facilitar achar uma posição na cama na hora de dormir.
Creme hidratante nunca é demais assim como complexos vitamínicos e remédios para anemia. Muita fruta, suco, água de coco e litros e litros de água durante o dia. Com 12 semanas de gestação ainda não engordei. As roupas estão servindo, mas sei que em breve terei que me despedir das calças jeans, salto alto e meus cintos.
Por enquanto as novidades são o sono incrível que eu sinto e o aumento da necessidade de fazer xixi. Meus seios também doem bastante. Sinto que tudo que eu sei na vida não serve para nada. É como se eu tivesse que aprender em 9 meses tudo para lidar com essa criança que vem ao mundo em julho. Por isso mais uma vez me sinto grata pela minha família e meus amigos que sei que sempre estarão ao meu lado.

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