quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Terá a eternidade enquanto durar

 Terá companheirismo
 Terá fidelidade
 Terá alegria
 Terá copos bem servidos
 Terá sinceridade
 Terá danças noite a dentro
 Terá prioridade
 Terá massagens nas costas
 Terá muito carinho
 Terá torradas com requeijão
 Terá muitas almofadas
 Terá meu apoio
 Terá amizade verdadeira
 Terá longas histórias
 Terá lágrimas e sorrisos
 Terá pipoca
 Terá sempre a minha mão
 Terá a eternidade enquanto durar

Que seja eterno enquanto dure


Que ele seja sincero nas horas certas
Que me trate como prioridade
Que sempre me ache linda
Que seja capaz de longas caminhadas por minha causa
Que acima de tudo tenha muita paciência comigo
Que goste de dormir de conchinha
Que tenha um cheiro único
Que goste de me fazer rir
Que seja capaz de acalmar meu coração
Que seu ombro seja meu apoio quando precisar
Que seja fiel a nossa história
Que entenda as minhas vontades
Que me perceba como sou
Que respeite as minhas amizades
Que não goste de azeitonas
Que tenha longos braços para me abraçar
Que nunca solte a minha mão
Que seja eterno enquanto dure

sexta-feira, 25 de março de 2011

Leo Jaime falou e disse tudo!

Tomo a liberdade de reproduzir abaixo um dos melhores textos que já li nos últimos tempos sobre o preconceito envolvendo obesos. 

Gordo é o novo preto é do Leo Jaime e está disponivel no site dele também



Quando Felipe França aqui desembarcou com 3 medalhas, uma de ouro e duas de bronze,  vindo do último campeonato mundial de piscinas curtas, o que se comentava era seu peso. Com 100 KG e 14% de percentual de gordura ele era mais do que um grande atleta:  era a prova de que condicionamento e forma física não são necessariamente a mesma coisa.

Tenho os mesmos 14% de percentual de gordura. Ao longo dos anos fui aumentando de peso sem aumentar o percentual. A barriga cresce e é lá que guardo a perigosa gordura visceral. Estou sempre lidando com esta questão médica, e chata, mas tenho me mantido em forma e aumentado o peso magro, ou seja, adquirido músculos com muito exercício. Portanto, posso dizer que estou bem condicionado. Dito isto, vamos ao real incômodo da minha condição. Chega de me justificar. Detesto fazer isto.

Ao longo dos anos ouvi, e ainda ouço, inúmeros “nãos” profissionais com a justificativa de que minha aparência não é boa, preciso perder peso, pareço decadente etc. Passei 18 anos sem gravar um CD com minhas composições, e percebi que ninguém se interessava em sequer ouvir as novas canções. Embora eu já tivesse emplacado várias no nosso cancioneiro, parecia que estava claro para todo mundo que a minha barriga tinha substituído o meu talento.   

Curiosamente o público nunca acreditou nisso e continuou a me tratar com carinho. Durante este tempo todo! Coleciono mais sucessos que fracassos  em tudo o que fiz no teatro, shows, TV, rádio ou em textos publicados na imprensa ou divulgados na internet. Considero ter conseguido vencer a resistência, mas não posso negar que ela exista e é muito forte. “Nadando contra a corrente, só pra exercitar”...

Voltando ao início: se um atleta pode ser medalha de ouro estando “acima do peso” seria correto dizer que existe um “peso” ideal? Nas olimpíadas os atletas têm os mais variados tipos físicos e, sim, alguns são “gordos”. Mas vamos olhar por outro ângulo.

Quando a adolescente lourinha matou os pais a pauladas em São Paulo, o comentário mais ouvido era “Como foi que uma moça tão bonita fez uma coisa dessas?” Como se gente bonita não matasse ninguém. Claro, os comerciais de TV só mostram rostos perfeitos, e todo mundo entende que são pessoas perfeitas. Será? Quando vi pela TV os bandidos fugindo da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão não me lembro de ter visto um bando de gordinhos. Eram até bem atléticos e “magros”.

O título deste artigo se refere a um movimento americano, “Fat is the new black”. Repare que a tradução não é “o novo negro” mas sim “o novo preto”. É uma expressão do mundo da moda: o novo preto é aquilo que parece ser a óbvia boa escolha; o que não tem erro: o pretinho básico. Ainda que seja óbvia a sugestão de que gordos são, para muitos, “the nigger of the world”, o que o tal manifesto combate ferozmente.   

A maior parte da população do mundo está acima do “peso”, se é que existe um “peso”, e todos vamos ter que nos adaptar a esta realidade. Todos são ou vão ser gordos, ou gostar de um gordo, ou admirar um gordo, ou ter prazer com um, seja em que nível for. Conviva com esta ideia, amigo ou amiga. Não são os bonitos os que vão lhe dar prazer mas aqueles que querem lhe dar prazer e vão se esforçar para que você se dê conta disto. E, acredite, portadores de deficiências, magrinhos, carecas, altos, baixos, estão todos no páreo. O desejo transcende a forma. Beleza é uma coisa, gostosura é outra.

Neste manifesto (fat is the new black) americano há uma série de perguntas do tipo: você diria a alguém “Olha, você até tem um rostinho bonito, só precisa engordar uns quilinhos. E você sabe muito bem como, não é? É só ter um pouco de vergonha na cara”? Não diria. Por que, então, dizer o contrário parece razoável? E nem chamaria o Keith Richards ou a Amy Winehouse de decadentes porque eles andam muito magros.  Talento, voz, criatividade, profissionalismo, nada disso tem a ver com peso ou aparência física. Será difícil entender isto?

Há um grande, um enorme preconceito. Este sim está muito acima do peso. E parece que o preconceituoso professa sua maledicência com a generosidade dos santos: é para o seu bem! Uma ova! O preconceito contra os gordos é o único tolerado hoje em dia. Ou contra os feios, vá lá! Está claro que, ao contrário do que a arte, através dos séculos estabeleceu,  a partir de 1968 (com Twiggy) ser magricela é que é o tal. As formas arredondadas foram para o brejo depois de 25 vigorosos e rotundos milênios alimentando desejos e fantasias da alma humana.

Elvis é um dos meus heróis e eu prefiro sua fase mais madura. Quando diziam que ele estava decadente, embora cantasse como nunca. Um dia desses uma criança mal-educada quis ensinar ao meu filho que as pessoas ou eram magras ou eram gordas, e as magras eram melhores. Ainda bem que ele esqueceu em um segundo. Quando meu filho olha para mim vê o que eu sou para ele. Quando meu público olha para mim, acontece a mesma coisa. E o resto? O resto que vá para o inferno.

Eu digo que pra mim existem dois tipos de mulher: as que gostam de mim e as outras. E juro que as que gostam de mim são muito mais interessantes. Mulheres, parem com essa obsessão de perder dois quilos! Homens gostam de mulheres companheiras, bem humoradas e boas de cama. Homens, atenção!  Quem repara demais na celulite das moças acaba preferindo bunda de rapaz. Não que eu tenha algo contra isto.  Cada um que descubra o que lhe apraz.

Brincadeiras à parte, deixe-me concluir. Não é preciso aceitar, mas tolerar. Eu é que não sei se tenho estômago para tolerar esse preconceito. Por exemplo: ver o Ronaldo Fenômeno chorar ao despedir-se cortou-me o coração. Seu corpo não o venceu, o preconceito sim.  Aturar anos de humilhação é duro até para os heróis.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Elefantes não esquecem

Fiquei sem saber se poderia ou não reproduzir no meu blog o texto Elefantes não esquecem do gaúcho Armando Coelho Borges.

Na dúvida, coloco aqui o link para vocês acessarem no site da revista Living Alone.  

Achei divertido!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Escola dos Sabores

Tive o prazer de ler o livro Escola dos Sabores da Erica Bauermeister no sábado. Sim, li em uma sentada só, como costumo brincar com a minha “madra”.  O livro, que é dela, é fofo e muito emocionante.

A história de Lilian, que as segundas-feiras promove em seu restaurante um curso de culinária. Essa turma, especialmente composta de 8 alunos, é cheia de lirismo e interligada por pontos emocionantes.

Recomendo o livro para quem tiver um tempinho de curtir uma rede, uma taça de vinho e muita preguiça.

Confesso que o nome original do livro é mais interessante THE SCHOOL OF ESSENTIAL INGREDIENTS. 

Abaixo segue a sinopse da livraria Cultura:

Todos os meses, na primeira segunda-feira à noite, a cozinha do restaurante de Lillian se transforma na Escola dos Sabores. Ali, um grupo de oito alunos se reúne para aprender deliciosas receitas. Ou pelo menos é isso que esperam que aconteça. Ainda criança, Lillian descobriu sua paixão pela culinária e o poder que a comida tem de transformar e curar a vida das pessoas. Por isso, sempre que inicia uma nova turma, ela observa os alunos atentamente, em busca de sua verdadeira motivação para estar ali. A cada aula, ela lhes apresenta um novo desafio - nada de receitas tradicionais, com quantidades definidas e descrição do modo de preparo. Em vez disso, coloca diante deles apenas alguns ingredientes essenciais e os convida a fechar os olhos e se deixarem levar pelos sentidos. À medida que os pratos são preparados, o grupo mergulha num mar de sensações. O cheiro delicioso de um bolo no forno remete à infância num país distante e faz lembrar os momentos mais felizes e os mais difíceis de uma união de longa data. Uma pitada de orégano no molho de macarrão traz de volta uma triste história de amor. A firmeza de um tomate maduro desperta a coragem de se libertar. Cada tempero, aroma e textura exerce um efeito mágico diferente sobre os alunos. Com o correr dos meses, eles têm a oportunidade de olhar para dentro de si mesmos e de conhecer uns aos outros. Ao fim do curso, terão descoberto muito mais do que os segredos da cozinha - paixões, vocações e amizades.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Quando tá escrito, está escrito e pronto

Se fosse meu iria chamar Quando tá escrito está escrito e pronto, mas o nome do conto abaixo é Encontro em Bokara

Ele é bem curtinho e dá para ler em 20 segundos.

Encontro em Bokara

A história faz parte de um conto de John O’Hara.
Um certo mercador persa pede ao seu servo que vá até o mercado comprar algumas peças de tecidos.
Ao chegar no mercado, o servo vê sua própria Morte fazendo algumas compras numa barraca próxima; apavorado, volta correndo até a casa do mercador.
“Tenho que ir embora daqui”, diz, quase chorando.“Vi minha Morte hoje de manhã, no mercado, e preciso fugir dela. Vou partir ainda hoje para Bokara, minha cidade”.
O mercador aceita o pedido do servo, mas fica desconfiado. Vai, então, até o mercado, encontra a Morte do servo.
“Puxa, que susto você deu em meu empregado”, diz ele.
“Ele também me deu um susto”, responde a Morte. “Eu jamais esperava encontrá-lo por aqui – afinal de contas, tenho um encontro marcado com ele em Bokara”.